terça-feira

Palacete da Fonte da Pipa

De todas as iniciativas do programa ALLGARVE houve uma que me despertou especial interesse:

REACÇÃO EM CADEIA TRANSFORMAÇÕES NA ARQUITECTURA DO HOTEL
(Quinta da Fonte da Pipa e Lagar das Portas do Céu, Loulé, inaugura no dia 20 de Junho, com a série fotográfica de Paulo Catrica H 08, o inédito de poesia de Jorge Gomes Miranda Resgate, e as entrevistas vídeo a arquitectos, designers, hoteleiros Hospitalidade por Paulo Martins Barata.)

principalmente por ser num local misterioso - A Quinta da Fonte da Pipa. Este antigo palacete está envolto numa série de histórias de fantasmas que despertam a curiosidade de qualquer mortal, por outro lado, a beleza do local e da arquitectura é um ingrediente fundamental para uma história de fadas.
Não sendo um expoente máximo da arquitectura nacional e internacional é um elemento importante para a história portuguesa e, principalmente, louletana. Foi construído pelo irmão de Duarte Pacheco, Marçal Pacheco, para receber o rei D. Carlos aquando da sua visita ao Algarve. No entanto o rei preferiu ficar alojado no palácio de Estoi.
Os interiores deste palacete são ricos em pinturas decorativas, de cariz vegetalista e em trompe l'oeil.
O jardim principal tem como tema principal um lago sinuoso com várias pontes de passagem e árvores exóticas.
A quinta está nas mãos de um grupo económico que pretendia fazer deste local uma urbanização (já se está a ver o tipo!!!), mas a intervenção da Câmara Municipal, com o seu veto, impediu o andamento do processo e está, neste momento, a tentar comprar a Quinta para devolvé-la ao município.
O estado de conservação deste imóvel é mau. Os interesses económicos e a curiosidade de intrusos ao longo dos anos foram fundamentais para acelerar o processo de degradação.










Passo a transcrever o texto do desdobrável referente a este espaço:

PALÁCIO DA FONTE DA PIPA
CONCELHO DE LOULE
ALGARVE
No local onde se ergue o "Palácio da Fonte da Pipa" existiu uma fonte à qual recorriam as pessoas da "vila de Loulé". As terras da Fonte da Pipa foram compradas por Marçal Pacheco, que quis erguer aí um palacete (a partir de 1875) semelhante aos que vira nas suas viagens ao Norte da Europa, enquanto advogado, político (Partido Regenerador), deputado, presidente da Câmara de Loulé, cidadão. A propriedade foi baptizada de "Quinta da Esperança", nome que não permaneceu na memória popular.
Não se conhece ainda quem foi o arquitecto que desenhou o palacete mas sabe-se que o seu construtor foi José Verdugo, que também trabalhou na construção do Mercado Municipal de Loulé. O decorador foi José Pereira Júnior (Pereira Cão), pintor e ceramista de Lisboa, que também trabalhou no restauro e decoração do Palácio da Ajuda por altura do casamento do príncipe D. Luís. Marçal Pacheco faleceu no ano de 1896 sem ter visto terminada a construção do seu palacete de sonho. Em 1920, a família do antigo presidente vendeu a Quinta a Manuel Dias Sancho, banqueiro de S. Brás de Alportel. Dias Sancho introduziu melhorias, mandando electrificar o palácio e construir os bancos dos jardins embutidos com conchas, corais, búzios, cascas de caracol, porcelana, cerâmica, num estilo Kitsch de feição romântica que envolve todo o edifício e jardins. Nos anos de 1927/29 os bens da Casa Bancária de Manuel Dias Sancho, a título ressarcivo, foram entregues ao Banco do Algarve. Por sua vez, Francisco Guerreiro Pereira terá comprado a Quinta ao banco. O amor deste novo proprietário às plantas exóticas permitiu que ainda hoje permaneçam nos jardins espécies florais não autóctones. Após a morte de Francisco Guerreiro Pereira, foi herdeiro da Quinta o seu filho, o Dr. Guerreiro Pereira, de Faro. Em 1981, este médico vendeu a propriedade à empresa "Quinta da Fonte da Pipa, Urbanizações, Lda". A Quinta da Fonte da Pipa não está isenta de histórias de fantasmas, almas penadas e sons estranhos. Ainda hoje permanece o anátema tão arreigado na crença popular de fenómenos supostamente psicofónicos aí acontecidos. O que se deve, provavelmente, ao facto de ter aí havido jogos de interesses materiais, onde o cenário dos fantasmas foi instalado propositadamente a fim de afastar quaisquer interessados na propriedade, ou ainda porque, durante a epidemia da pneumónica (1916/18), foram provavelmente lá sepultadas vítimas dessa doença. FICHA TÉCNICA
Texto: Luísa Fernanda Guerreiro Martins
Fotografia: Hélio Ramos
Grafismo: Susana Leal
Coordenação: Luís Manuel Mendes Guerreiro
Texto elaborado a partir de portfólio e artigos arquivados no Centro de Documentação da Divisão de Cultura e História Local


Agora algumas fotos que tirei na visita:

















4 comentários:

OBSERVADOR DO AGRONEGÓCIO disse...

Estive aqui hoje, é de se fazer chorar às ruínas.

Anónimo disse...

Boa tarde,

Sou fotografa e ando a procura de lugares diferente para fazer algumas sessões de moda, quando deparei-me com o seu blog. Pode me fornecer o contacto do palacio da fonte da Pipa? O sitio é maravilhos!!! Parabéns por toda a reportagem. Meu mail katia.viola@hotmail.com

Anónimo disse...

O que aconteceu ao palácio ?
Agoro,lá está ele ,abandonado ,triste nas mãos de toda agente.
Qualquer pessoa pode entrar lá e tornar o palacio na sua propria casa.
As maravilhosas pinturas e a arquitectura do palácio estao a degradar-se todos os dias.
Precisamos de fazer alguma coisa,alertar a cm loulé

Marcia Grosso disse...

É importante que haja uma consciencialização geral da importância do património, e sobretudo, do que nos é mais próximo, mesmo que sem selo de "património/monumento nacional". É este património, local, que nos enforma como povo, e que nos dignifica como cidadãos de um sítio.
O palacete "Fonte da Pipa" tem passado por várias questões desde o momento em que começou a haver interesse público. Desde logo a compra por parte da Câmara ao grupo que detinha a sua propriedade, depois há também a questão da circular... sim, uma estrada... por esta razão, pela razão da famosa crise e falta de sensibilidade para as questões culturais, a questão da "Fonte da Pipa" está em "águas de bacalhau"...